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4 de junho de 2017

Mulher-Maravilha


Sinto muito pelas pessoas, no Líbano, que não poderão apreciar a estreia bem-sucedida e espetacular da Mulher-Maravilha no cinema, por conta de um grupo que está boicotando o longa por uma razão que, particularmente, não considero justificável: Gal Gadot já integrou o exército israelense (algo que é obrigatório lá, homens e mulheres servem ao exército após o período escolar), cujo país está há anos em conflito com o Líbano. Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017) é o filme de heroína que a DC, o cinema, o mundo estava precisando. É o melhor filme da DC desde O Homem de Aço (2013) – apesar dos exageros, considero a obra de Zack Snyder um filmaço, tão grandioso quanto o próprio herói. 

Gal Gadot, uma atriz quase desconhecida, fez um papel pequeno na franquia Velozes e Furiosos, calou a boca de muita gente no ano passado – que criticou a escolha dela para o papel da heroína – quando ela, vestida já como Mulher-Maravilha, roubou os holofotes de seus companheiros heróis em Batman Vs Superman. Desde então, as expectativas aumentaram e felizmente elas foram correspondidas. A Diana de Gadot é encantadora, meiga e uma guerreira destemida quando o momento exige.

20 de maio de 2017

Garotos (Jongens)



Garotos (Jongens, Boys, 2014) conta a história da descoberta do amor entre dois garotos. Poderia parar aqui, essa linha já resume bem o filme, mas esse longa holandês tem algumas particularidades que o distingui de muitas obras que tratam de relação entre pessoas do mesmo sexo, então, escreverei mais. Garotos se destaca das demais produções de temática LGBT, principalmente, por não carregar aquela sensação de tragédia iminente que acomete a maioria dos filmes (O Segredo de Brokeback Mountain, Queda Livre, Além da Fronteira). Garotos é um “feel good movie”, ou seja, nos deixa com uma sensação boa após o seu término.

Sieger (Gijs Blom), um garoto de 15 anos, é o protagonista. Ele se apaixona pelo colega do time de atletismo Marc (Ko Zandvliet). O jeito autoconfiante e imprevisível de Marc são algumas das razões pelo qual Sieger começa a desenvolver sentimentos, até então desconhecidos, mais fortes e complexos por ele.



13 de maio de 2017

Alien: Covenant


Há cinco anos Ridley Scott retomava a franquia Alien com Prometheus, uma obra indigesta e confusa, ninguém “abraçou” o teor existencialista da ficção que apresenta apenas ameaças e promessas (não cumpridas). Agora, em Alien: Covenant (2017), Scott faz o oposto e literalmente “toca o terror” em um filme visceral e sangrento.

Alien: Covenant não é melhor ou tão bom quanto o original de 1979 (a crítica especializada é muito ingênua ao esperar isso), na verdade, não precisa ser, o mais importante é que Covenant é muito superior a Prometheus. E isso já basta.

24 de abril de 2017

Vida (Life) – Um suspense sci-fi imperdível e inesperado



Você bem sabe que, conforme Charles Darwin e sua teoria da seleção natural, os seres mais bem adaptados ao meio em que vivem possuem mais chances de sobrevivência em relação aos organismos menos preparados à adaptação. Bem, tendo como base esse conceito e a nova obra de Daniel Espinosa, a raça humana corre sérios riscos de extinção. Em Vida (Life, 2017), novo filme do diretor, duas formas de vida distintas travam uma guerra violenta pela sobrevivência. Quem ganha essa batalha? Bem, você terá de descobrir assistindo a este que já é um dos melhores filmes do ano que ninguém estava esperando e que quase ninguém vai ver.

Jake Gyllenhaal, Ryan Reynolds e Rebecca Ferguson estrelam esse suspense espacial que tem nome de drama existencial de Terrence Malick, mas se aproxima mais de um Alien dos antigos ou de uma ficção científica dos anos 80. Das boas. O título “Vida” pode parecer romântico, mas faz todo o sentido quando se assiste ao filme. Vida trata de um paradoxo sobre a vida, a obra expõe de forma bem clara a dualidade a respeito da vida, de um lado há a forma de vida que precisa aniquilar a outra para continuar o seu desenvolvimento natural, de outro, há a que tenta a todo custo manter a sua hegemonia, ou seja, sobreviver.

13 de abril de 2017

13 Reasons Why



Contém spoilers!
Precisamos falar de 13 Reasons Why. Quando Tyler (Devin Druid), o fotógrafo que é vítima frequente de bullying no colégio, abre uma caixa no seu quarto e vemos nela um pequeno arsenal, repleto de armas de diversos tipos, logo associei esse momento a obras cinematográficas que tratam de massacres em escolas, tipo de tragédia que pode surgir nas cenas da próxima temporada da série 13 Reasons Why (2017), novo hit do Netflix, que aborda temas difíceis como bullying, suicídio, estupro, entre outros. É como se 13 Reasons Why narrasse os bastidores, ou melhor, escancarasse as causas desse tipo de incidente que, de tempos em tempos, acontece, principalmente, em alguma escola americana, e que já foi retratado em dois filmes que expõem duas diferentes perspectivas sobre episódios violentos envolvendo adolescentes. Antes de falar da série, é importante fazer esse link com outras obras.

O filme Elefante, de Gus Van Sant, é baseado no massacre de Columbine, que ocorreu em 1999. A produção acompanha a rotina dos alunos na escola até a chegada de dois alunos, munidos de metralhadoras, eles causam um banho de sangue atirando para todos os lados e depois se matam. Já o drama Tarde Demais (Beautiful Boy) retrata a situação através das lentes dos pais de um garoto, que aqui já não é a vítima, mas o assassino que mata 17 alunos e se suicida logo após. O filme concentra-se na vida dos pais, que tentam buscar respostas para o ocorrido e refletem se o papel deles, como pai e mãe, foi falho em algum momento.



Violência física, psicológica e sexual podem sim ocasionar tragédias como essa de Columbine, bem como o suicídio de Hannah Baker (Katherine Langford), e quando se está no Ensino Médio, os problemas parecem ser maiores do que realmente são. E no caso de 13 Reasons Why, eles são mesmo. A série vai além de questões acerca do bullying e do suicídio, trata também de famílias disfuncionais (a do Justin, principalmente) de relações sociais baseadas em interesse, de ser invisível para outros, de amizades passageiras e frágeis, mentiras, machismo, e como esses fatores podem acarretar não apenas crises existenciais (isso é sério), mas atitudes extremas em um adolescente.
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